de Manuel Brásio

SOBrE

SUPRAHUMAN é um espectáculo profundamente narrativo. Um monólogo futurista em linguagem musical de uma velha máquina em fim de vida contemplando o Tempo.

 

É um projecto interdisciplinar que une um compositor, instrumentistas e artistas multimédia num espectáculo imersivo que pretende conduzir o público à reflexão sobre a nossa própria situação enquanto seres humanos, num mundo a ser controlado pela Máquina.

 

SUPRAHUMAN foi construído em torno da ideia cada vez menos fictícia da evolução exponencial da inteligência artificial, da sua aparente inevitabilidade, assim como falta de conhecimento e consciência da condição humana nesta revolução tecnológica que acontece todos os dias, a todo o momento. Esta realidade será misturada com os diversos cenários da ficção científica que nos são apresentados por diversos autores como Isaac Azimov, Ray Bradbury ou Philip K. Dick, na construção de um espectáculo que terá este tema como principal linha narrativa.

 

Neste VOL 01 explora-se a evolução do Homem suportada constantemente pelas suas invenções e utensílios. As primeiras pedras apanhadas do chão, usadas para bater e matar um animal, acender o primeiro fogo e construir a primeira roda essencial à exponencial evolução tecnológica do Ser Humano. Neste espectáculo reflecte-se sobre a condição humana e a dependência inquestionável da modernização das nossas ferramentas.

 

Este espectáculo é um momento de imaginação, de conjectura e reflexão colectiva, sobre o que está para vir muito em breve. Ou então, só um ensaio audiovisual para se assistir sentado, esperando calmamente a chegada da máquina perfeita.

 

Reflete-se sobre tudo isto, e sobre o que poderá vir, num futuro muito próximo. Será o Homem capaz de se impor à evolução das suas próprias criações? Serão as máquinas deuses pacíficos e generosos?

Musicalmente, SUPRAHUMAN baseia-se na complementaridade expressiva de estilos musicais contrastantes e do uso de recursos multimédia no apoio à narração de uma história por escrever.

Retira do rock a pujança rítmica, a coesão e vivacidade impulsionadora de um motor energético. Algumas das referências mais próximas são nomes como: Black Sabbath, Led Zeppelin, Frank Zappa, Tool, Nine Inch Nails, Fugazi, Between the Buried and Me, Porcupine Tree, Animals as Leaders. À música contemporânea erudita, e a compositores como Iannis Xenakis, György Ligeti, Steve Reich e Toru Takemitsu, rouba as ideias de exploração tímbrica, de expansão dos recursos dos instrumentos e do leque de técnicas estendidas dos instrumentistas; assim como a contraposição dos conceitos de tempo em música e do desfasamento temporal e rítmico presente nas grande obras do séc. XX. No campo da improvisação, tal como John Cage, Karlheinz Stockhausen, John Zorn e Glenn Branca, procurou-se explorar a improvisação como veículo para a construção de uma linguagem musical que permita a comunicação musical em contexto de performance: a ideia de música de conjunto, música de câmara, de um som próprio, uma entidade sonora que só se completa com a interacção e participação do colectivo. Entidade esta composta por instrumentos acústicos, eléctricos e electrónicos, assim como processamento de áudio e completada pela junção de vídeo em tempo real.

Na vertente gráfica, o vídeo apoiará o espectador nesta ligação sonora e narrativa. Não prometemos uma tradução legendada desta história talvez pouco perceptível, mas sim uma ilustração das nossas expectativas relativamente ao que poderão vir a ser as memórias das máquinas num futuro [não muito] longínquo, que assuma o papel de linha guia, tanto de reforçar como desvirtuar o discurso musical e/ou substituir, por vezes, a necessidade de música.

Nunca se pretendeu a criação de uma obra estanque, irrefutável e consensual mas sim uma obra que permitisse a exploração de diversos contextos sonoros e a concretização da criação de uma nova música.

 

PRODUÇÃO

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